Quando topei a verdade…

Um dia desses, desses mesmo que só você e eu sabemos, vi um menino topando de frente com o vento. Tinha um acordo simples e singelo. Mas eu passei, e o menino também. Do outro lado da rua que eu. O cachorro rosnou para mim. Aquele carro de polícia sequer me viu. E uma bela morena também. E enquanto tudo isso, e mais um monte de outras coisas, aconteciam, decidi topar um diálogo com os mestres sobre a verdade. Minha pergunta era simples, porque a verdade não venceu?

William – Porque a verdade não venceu?

Oscar Wilde – Por quê, meu caro William, a verdade jamais é pura e raramente é simples.

William – Mas como seu Wilde? Como assim? Como que alguma coisa pode ser mais pura e simples do que a verdade?

Voltaire – Ama a verdade, mas perdoa o erro.

William – Tudo bem sêo Voltaire, mas tentemos nos ater a pergunta, por que a verdade não venceu?

Mahatma Gandhi – Sempre que você tem a verdade ela precisa ser dada com amor, ou a mensagem e o mensageiro serão rejeitados.

William – Olha aí, agora o Gandhi trouxe um novo ingrediente para a nossa mistura. Será que o amor não suporta a verdade? Será que eles podem existir em harmonia?

Ivan Panin – Para toda beleza há um olho em algum lugar para vê-la. Para toda verdade há um ouvido em algum lugar para ouvi-la. Para todo amor há um coração em algum lugar para recebe-lo.

William – Grande Panin, interessante essa observação. Talvez seja um caminho bacana, o que você quer dizer é que a verdade é verdadeira, o problema está em quem a recebe? 

Ivan Panin – Não ponha palavras na minha boca rapaz.

William – Desculpe caro Panin.

Ivan Panin – Está perdoado, acho que Froude  quer fazer uma observação, está com a mão levantada desde que abrimos a segunda garrafa de Whisky.

William – Diga lá Froude!

J.A Froude – Pode ser verdade que agimos como escolhemos. Mas, podemos escolher? Não é a nossa escolha determinada por causas que nos escapam?”

William – Acho que nem o Freud saberia dizer essa bicho…Eu acho que somos responsáveis, inda que irresponsavelmente pelas causas que nos escapam. Não acham?

Todos em uníssono – (Barulho irreproduzível e algum palavrão em russo)

Machado de Assis – Odeio trocadilhos, essa é a verdade

William – Nada como bater o martelo…

Machado de Assis – Palerma! O problema é com você rapaz, que não quer lidar com a verdade!

William – É uma possibilidade…Concordo.

Machado de Assis – Como pode um ser civilizado querer participar de uma discussão acalorada? É um palerma mesmo…

Marilena Chauí – Gente, gente! A verdade não pode escandalizar.

Todos em uníssono – Balbúrdia. Um em russo.

William – Acho que essa discussão não está indo a lugar algum rapaziada, e eu continuo com a pulga atrás da orelha…

Winston Churchill – Um homem pode ocasionalmente tropeçar na verdade, mas na maior parte das vezes ele se recupera e vai em frente.

William – Caramba! Taí, não falou nada mas disse alguma coisa. Pessoal, agora deixa eu ir que tá meio tarde…

Todos em uníssono – Uhhhh! Tinha que ser mesmo…(Vários chingamentos em russo)

William – Foi uma boa conversa, confesso que admiro ainda mais todos vocês…

Henry David Thoreau – Ei, caro William, nunca se esqueça: Ao invés do amor, dinheiro e fama, me dê a verdade.

William – Valeu Thoreau, vou manter isso na mente. Um abraço rapaziada, até a próxima…

 

Beijos e abraços do dabliubê.

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