A coisa mais importante das pequenices do cotidiano

E foi assim, de repente mesmo. O amor passou a ser a saudades daquele cafuné na nuca enquanto eu trocava da segunda pra terceira marcha. Quem diz que o amor passa, bom sujeito não pode ser, e não é. O amor vira, e se desvira procurando uma posição. O amor está em trânsito, e as vezes ele fica um tempão parado debaixo do semáforo esperando abrir e ficar verde pra ele passar. O amor é amar. Amar o amor, amar a dor, amar a ausência e amar a saudades. Amar acima de tudo o amor, que lá no alto, bem de lá de cima mesmo, transformou-se na saudades que eu senti da tua mão carinhosa na minha nuca. Nunca. Jamais se vá. Que alguém não se iluda, se iludir é amar, mas também é se deixar iludir, amor, sublime da maneira que é, singular na sua forma, é que só não pode mudar. Uns amam assim, outros nem tanto, outros amam de maneiras esquisitas, outros nem tanto, mas que de todas, a única, a forma de amar. O amor sufoca, sufoca mesmo, hoje eu entendo do que você falava, hoje eu me sufoco de saudades, hoje eu me sufoco com a lembrança do teu olhar, hoje eu me sufoco pensando em coisas que eu queria te falar mas a maldita tarifa da telefonia celular me lembra que não teria como eu arcar com a seguinte frase: “Oi, tava com saudades de você, liguei pra dizer que…” Seus créditos acabaram. O amor são as palavras que ficam no ar, assim por dizer, e que não ditas causam dor. Amar é amar a tudo isso também. Amar é ser intolerável, é ter um pouquinho de ciúmes, é querer bem também, e as vezes querer mal, só para que o outro, em um acaso improvável, note que o outro (aquele que desejou o mal) o fazia por bem. Amor tem dessas coisas. Amor não escolhe hora pra chegar, e quando resolve sair faz questão de deixar marcas. Amor é dengoso quando chega e demolidor quando sai. Amar é saber amar essas horas em cada momento. Amar é saber amar e estar disposto a aprender. Amor não passa, acontece. Amor não acaba e nem dá um tempo. Amor, talvez, no fundo no fundo seja aquela saudades que me deu da tua mão carinhosa nos meus cabelos. O amor vestiu a saudades e me fez lembrar que ele ainda anda do meu lado.

W.B

Sobre o amor e outras milongas.

Beijos e abraços.

Anúncios

2 responses to “A coisa mais importante das pequenices do cotidiano

  1. Ouvir você falar de amor assim, me deixou sem comentário.

    Acho você foda. A forma como escreve e passa seus sentimentos. Isso é do caraleo.

    Brigada por isso.

  2. Bela frase: “O amor passou a ser a saudades daquele cafuné na nuca enquanto eu trocava da segunda pra terceira marcha.”…bom saber que não perdeu o tino pra coisa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s