Monthly Archives: Julho 2009

A coisa mais importante das pequenices do cotidiano

E foi assim, de repente mesmo. O amor passou a ser a saudades daquele cafuné na nuca enquanto eu trocava da segunda pra terceira marcha. Quem diz que o amor passa, bom sujeito não pode ser, e não é. O amor vira, e se desvira procurando uma posição. O amor está em trânsito, e as vezes ele fica um tempão parado debaixo do semáforo esperando abrir e ficar verde pra ele passar. O amor é amar. Amar o amor, amar a dor, amar a ausência e amar a saudades. Amar acima de tudo o amor, que lá no alto, bem de lá de cima mesmo, transformou-se na saudades que eu senti da tua mão carinhosa na minha nuca. Nunca. Jamais se vá. Que alguém não se iluda, se iludir é amar, mas também é se deixar iludir, amor, sublime da maneira que é, singular na sua forma, é que só não pode mudar. Uns amam assim, outros nem tanto, outros amam de maneiras esquisitas, outros nem tanto, mas que de todas, a única, a forma de amar. O amor sufoca, sufoca mesmo, hoje eu entendo do que você falava, hoje eu me sufoco de saudades, hoje eu me sufoco com a lembrança do teu olhar, hoje eu me sufoco pensando em coisas que eu queria te falar mas a maldita tarifa da telefonia celular me lembra que não teria como eu arcar com a seguinte frase: “Oi, tava com saudades de você, liguei pra dizer que…” Seus créditos acabaram. O amor são as palavras que ficam no ar, assim por dizer, e que não ditas causam dor. Amar é amar a tudo isso também. Amar é ser intolerável, é ter um pouquinho de ciúmes, é querer bem também, e as vezes querer mal, só para que o outro, em um acaso improvável, note que o outro (aquele que desejou o mal) o fazia por bem. Amor tem dessas coisas. Amor não escolhe hora pra chegar, e quando resolve sair faz questão de deixar marcas. Amor é dengoso quando chega e demolidor quando sai. Amar é saber amar essas horas em cada momento. Amar é saber amar e estar disposto a aprender. Amor não passa, acontece. Amor não acaba e nem dá um tempo. Amor, talvez, no fundo no fundo seja aquela saudades que me deu da tua mão carinhosa nos meus cabelos. O amor vestiu a saudades e me fez lembrar que ele ainda anda do meu lado.

W.B

Sobre o amor e outras milongas.

Beijos e abraços.

Réquiem para o centésimo post do dabliubê

Aqui, ali e acolá.

Eu estive por aí. Andei pelas ruas da tua cidade. Vi as luzes cintilantes de um frenesi de átomos e zumbidos incessantes. Subi tuas subidas, e desci tuas descidas, me desculpe a redundância meu caro, mas é que vai fazer tantas subidas, e tantas descidas, lá no inferno. Desculpe, no inferno não há subidas, é um caminho estreito e direto na descendente.
E continuei por ali, aqui e acolá. Senti o sopro da madrugada tentar levar a minha mente para dançar. E depois de seguidas tentativas obstinadas, desistiu. Ela já tinha ido.

Passei por construções que você ergueu meu caro, ou que pelo menos ajudou de alguma forma a erguer. Prova concreta que que com o passar do anos as coisas podem ficar em pé, é só fazer bem feito durante todos os outros anos anteriores. Díficil.

Vivi sendo e não sendo. Fui e Não fui. Sou boa parte de seus erros, e dos acertos também, ora pois!. Senti o peso do dedo em riste que apontaram para mim. Fiz alguns sorrirem. Mas não nego, chorei em alguns momentos com a mais sincera e escorrida lágrima, inda que o riso ainda comandasse o rumo das coisas. Bobagem lírica.

Bebi suas bebidas, comi suas comidas (e como!) fumei seus cigarros, beijei o chão, e tive a redenção nos olhos de tuas mulheres. Doce redenção, talvez tenhas criado apenas para deleite dos mortais homens, assim como eu. Eu entendo poderoso Éon. Algumas de beleza admirável, uma rara beleza, assim como a gaivota que voa ali no céu, ali oras, do lado de fora da minha janela, um pouco mais pra cima, o céu. Lembra? E da Gaivota? E do bater de asas? Pois é meu caro, admirável são tuas pernas, eu disse a ela, e ela acusou um sorriso de canto, talvez ela tenha gostado, talvez não. Quem se importa? Talvez eu. Maldita hora pra me lembrar dos pensamentos. Eu os tive (e como!). Do lado aonde bate sombra é mais frio, e é por lá que alguns caras andam. Outros gostam sempre de estar na luz. Nas poderosas baterias de iluminação. Efêmero. Passageiro. Não há luz que não precise do escuro. E nem escuro que sobreviva muito tempo sem a luz. Mistérios da tua criação meu caro. Verdade, tentar descobrir o porquê é um saco, mais fácil constatar, e ir tocando em frente. Assim como a boiada. No campo. Lembra? O café? O pão-de-queijo? A vovó? O cheiro de mato (calma D2) recém-cortado, com hífen pois o hífen é a cerca da palavra, e te lembra da cerca? que cercava o mato? Era o limite da nossa imaginação.

Pois é meu caro, eu andei por aí, e espero continuar andando. Sempre que puder te mando algumas notícias. Mas nem tudo está perdido.
Um abracadabrasso, do William.

Até a Próxima.
(02/08/2008)

A primeira vez que dei por mim em ti

– Nosso amor foi “Snubificado” – Disse ele, em um claro ato de desespero.

– Nosso amor foi o quê? – Por ter certeza de que não conseguirei reproduzir o espanto que Claudete demonstrou ao receber a sentença acima, decidi por apenas colocar um ponto de interrogação mesmo.

– “Snubificado” oras, vai dizer que não?

Calma, seguinte, snubificado é: 

Snubificação (desambiguação, longe de mim)

A Snubificação de um Poliedro consiste em afastar as faces do poliedro, rodar as mesmas um certo ângulo (normalmente 45º) e preencher o espaço vazio entre as novas faces com triângulos.

– Entendeu agora Claudete?

– Ah sim claro, você não consegue fazer as contas da casa fechar no mês, mas sabe tudo sobre poliedros e ainda me diz que o nosso amor é um poliedro?. Você só obviamente pode estar maluco mesmo Flávio, cada vez mais eu tenho razão de ir embora.

– Então vá. Vá e não pense que eu fui o culpado. A culpada sempre foi e sempre será você, suas malditas asas que não cabem nessa sala. O teu ego imenso que não cabe no nosso quarto. O teu ímpeto gigante que toma conta das duas ruas. Vá. E por favor, só me faça um favor, troca esse maldito toque do teu celular.

Beijos e abraços do dabliubê.

Com histórias facilmente esquecíveis e nem um pouco confiáveis.

Retratos de uma obsessão comum.

Asta.

O Zé Ninguém

Versinho 1

Quem foi ou deixou de ser, nunca me passou pela cabeça

O que é, ou ainda está por vir, o será, nunca quis se apresentar

O talvez, o quem sabe, o “a gente precisa conversar” esperava que nunca chegasse

A mensagem, o silêncio, a angústia, isso tudo passa. O vazio fica.

Eu mesmo aqui, ali e acolá com os dedos vacilanes sobre as teclas nem consigo expressar

O que passa aqui dentro, que é pra’ nenhum de vocês conseguir enxergar.

 

Poeminha 2:

Como de fato era de se esperar, esperei

De maneira que sutilmente, relevei

Ao passo que inutilmente, tentei

E que por fim, me ignoraste.

 

Haikai de brinde:

ser sol da tua noite em claro,
a meia-lua dos gatos no cio.
o chão de terra do teu rastro,
da tua carne tirar meu vício.

 

Os dois do começo são meus e foram feitos pelo simples ato de fazer, corrente daqueles que pregam o prego e erguem o muro, sem saber muito pra o que vai servir. De qualquer maneira ta ai. O Hai Kai foi brinde mesmo, para você. É, você mesmo.

 

Besos e abrassos do Rasputin das palavras, o Dabliubê.

Desafiando a lógica, a decência e os bons costumes a vinte e poucos (1) anos.

E são paulo era, foi e sempre será. Isso e tudo o mais.

O que toma de assalto aquilo que não é teu. Tu também o faz.

Deveras ter mais virgens. Deveras ter mais pureza.

Mas tua malandragem de anos no serviço vem sempre a tona.

Devia ter vergonha na cara, devias ter tido mais tempo pra ti.

Devia ter se cuidado mais.

Teu vento frio passa soberano. Bagunça os cabelos das tuas mulheres,

é tudo teu mesmo não é? É.

És a mais pesar de todos os pesares. E pesa.

és o côncavo quando lhe pedem o convexo.

O vice-versa do diz-me-disse e o conforto do desolado.

O cá pra lá dos bandoleiros, mancos e sem um puto na carteira.

Tuas veias principais entupidas de ódio e luzes vermelhas.

Um movimento parado, deitado de braços abertos para o céu vermelho

Que desaba sobre nós essa fina garoa numa tarde de inverno.

És uma grande filha da puta mesmo. Mas por ti guardo um eterno carinho.

 

Produzinho.

W.B.

O doce saber do ébrio habitual

Pergunta:

-Mas por que será que bebemos tanto meu caro?

-Te devolvo a pergunta meu velho, por quê?

-Oras -responde o perguntador- talvez para ficarmos mais interessantes

-Não, ledo engano. Eu, por minha vez, bebo para deixar os outros mais interessantes…

 

Toma que é teu.

Bai bai.

O Poeta e a estrada

A poesia parou e me deu carona. Embarquei. Mesmo não sendo de barco.

Não tinha o balanço, não tinha o cheiro e nem a cor. Peraí, preciso mijar.

Tinha a companhia e a respota ao dedo em riste.

Poesia é igual pegar carona bicho! Você para com o dedo em riste (no caso da carona)

E espera que algum carro pare. Com as palavras é assim.

E se a vida é poesia, para os malditos que ainda se propõem, e como dio mio!

O movimento é esse. Há os que vão pela estrada, em alta velocidade e de vez em quando param.

Param para ajudar o que anda na borda. O da borda sempre vai em frente esperando que alguém pare.

Mas o nariz nunca deixa esquecer o rumo a ser seguido.

Arriba y arriba.

 

Numa tacada só. W.B

bai bai.