Nuances

Ela deita e rola prum lado do sofá. Rola para o outro, logo em seguida. Tenta insistentemente achar uma posição confortável. Embora você há de convir que o fato de estar deitado já é uma posição confortável, enfim.

Cabelos desgrenhados, começam de uma cor e termina em outra. Eu espertamente coloco um Ottis Reading pra rolar no som. Ela cuidadosamente ascende um cigarro. Eu busco água na geladeira. Os movimentos inda que não ensaiados, são perfeitamente simétricos. Nossos olhos se cruzam uma ou duas vezes. Dois estranhos com algo em comum. De qualquer forma eu gosto da presença dela. Ela também, eu sei. O cigarro ainda no começo mostra que a pressa é a inimiga da perfeição. Nuances daquela fumace combinam desenhos maravilhosos com os cabelos longos e esvoaçantes dela. Eu como um artista diante de um quadro em branco, pasmo, atônito, sem palavras só observo:

-Tá olhando o quê? – Pergunta ela com uma voz doce e direta

-Olhando não, admirando – Digo eu, sagaz e cuidadoso com as palavras

Ela abre um sorriso lindo. Não porque foi engraçado, mas porque ela gostou. Eu sei.

Ela se deita novamente e eu sentado ao lado apenas admiro.

E admiro.

Seu rosto não demonstra vontade de dormir, pelo menos não por hora.

Percorro cada centímetro de sua beleza até encontrar seu rosto. Um beijo demorado me aguarda.

Ela volta a me ensinar que tudo que é mais demorado é melhor, que eu afoito tinha me esquecido.

O beijo. Lábios que eu já beijei que me perdoem, mas esses eram doces, e queriam estar ali. Não havia intruso, não havia nada. A fumaça do cigarro não dava trégua e continuava a realizar suas nuances. Ottis Reading já estava organizando suas coisas, pagando o cachê aos músicos. A noite já ia indo embora, e o Sol começava a dar as caras. E seus olhos não desgrudavam dos meus.

E ela insistentemente procurava um canto no sofá. E por fim acabou achando, aninhando-se cuidadosamente entrelaçada em meu abraço. E conseguimos nos desprender desse mundo por alguns minutos.

Ela acordou e olho pra mim, disse que estava atrasada, precisava ir, foi logo juntanto as coisas, colocando o sapato, arrumando o cabelo, olhou pra mim e disse:

-Eu queria ficar, mas preciso ir.

Foi então que me dei conta que eu era um cara de sorte.

 

Beijos e abraços do Dabliubê.

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One response to “Nuances

  1. LIndo lindo lindo… olha que meu namorado me escreve coisas lindas..mas esse post, é lindo demais!

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