Monthly Archives: Dezembro 2008

Cul-de-Sac

– É isso e ponto! – disse ela

– Máquê?! Como assim Maria Amélia? Como é que você pode fazer isso comigo? – O marido, respondendo.

-Não só posso, como fiz. Seu bunda-mole (Licença de narrador, não sei se tem ou não hífen, mas ficou bem mais legal com hífen)

Maria Amélia continuava:

– Você fica aí, deitadão nesse sofá, todas as noites, esperando o boa-noite do Bonner e da Fátima, depois vai tomar banho, bota um pijama e volta pra cama. Esperava o quê? Que eu fizesse o mesmo?

– Mas é que eu nunca imaginei que você fosse capaz de fazer isso, não comigo. Poxa Maria Amélia, 25 anos de casamento, você não respeita nada disso?

– Claro que eu respeito, eu também te amo. Mas eu quero que você entenda que isso foi porque eu estava me sentindo sozinha, passava o dia inteiro esperando você, e quando você chegava, sempre chegava bufando, cansado, e fazia tudo aquilo que eu falei…

– E? E?

– E por isso eu comprei esse maldito vibrador! Pra ter o que fazer enquanto você fica se ocupando com outras coisas

-Meu deus Maria Amélia, jamais imaginaria isso de você

-Convenhamos meu amor: Mais imaginável comigo do que com você. A não ser que você…

– A não ser que você o que Maria Amélia, A não ser que você o que Maria Amélia????!!!!!

 

Nossa adorável classe média.

Beijos e abraços do W.B

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O Amor é paciente

Entubado na UTI, deitado em uma cama não muito maior que seus limites corpóreos, vigiado noite e dia por enfermeiros que não fazem nada além dos procedimentos padrão, o amor padece.

Tanto faz se é dia ou noite lá fora. O amor continua com os olhos fechados. Imerso em um coma profundo há algum tempo não há nada que os médicos possam fazer. Afinal, tudo o que podiam, já havia sido feito.

Os médicos não dizem, mas avaliavam que não haveria volta. Queriam comunicar a família, mas só não sabiam como, a grande dúvida era:  Como dizer que não havia mais Esperança para o Amor.

Enquanto isso, o Amor, paciente, deitado na cama, aguardava por um sinal de Esperança.

O importe é Alegria, Alegria meu polvo

Ainda ouço gritos pelos bueiros

“Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam”.

(Edmund Burke)

 

 

abaixo_ditadura

Há exatos 40 anos

Um eclipse tomou conta das ruas. Onde antes o Sol aquecia e alegrava, agora a sombra tomava conta. Um sombra fria, implacável, cruel. Se antes passeávamos alegremente por praças, entre carros e avenidas. Se antes tomávamos nosso pingado com um pão na chapa pelas manhãs. Se antes a cerveja era gelada e os minutos embalavam as conversas. Se antes vivíamos, agora sobrevivíamos.

Não sabias que hora meus filhos voltariam para casa. Por sorte, voltariam. Quantos foram os meus irmãos que jamais voltaram? Quantos foram os irmãos que saíram atrás de um mundo melhor e jamais voltaram?

Quantos pais e mães que precisaram tirar férias? Quais aqueles que nunca voltaram?

A escuridão foi implacável com meus irmãos que tinham mentes iluminadas.

Persistia, proibia, condenava, julgava. Matava.

Quantos irmãos, irmãs, pais, mães. Quantos, enfim, filhos dessa pátria jamais voltaram para casa?

Me desculpe, mas estava escuro demais para ver.

 

Até a próxima.

W.B

O último que sair, apague a Luz.

Try a little tenderness

Taí, em homenagem a Ottis Reading.

 

 

 

10 de dezembro foi o dia que um dos reis do Soul faleceu. 26 anos e um caminhão de músicas sensacionais.

Deliciem-se.

 

Beijos e abraços do W.B

O futebol de hoje ensina: Vencedor não é aquele que ganha mais, e sim aquele que perde menos.

*Esta frase uma seção neste humilde blog de frases que precisam ser rapidamente esquecidas.

Então não fique dando sopa. Esqueça.

 

Beijos e abracadabrassos do W.B