Há uma sensação comtemporânea da qual não faço parte. E há, tenho todas as provas e os indícios e sei que há.
Há, igualmente, uma sensação cosmopolita da qual também não faço parte. Sim, claro, estou nela, de alguma maneira é necessário estar presente para sentir-se ausente. E isso eu faço.
Há coloquialidades e burburinhos que ouço e não consigo reproduzir, eu sei deles, eu ouço deles, até as vezes faço parte deles, mas não consigo capturá-los.
Há muito dengo sendo jogado da janela mas ele sempre cai na poça de água do meu lado, se dilui e vai embora.
Há muita diluidade por aqui também. Que é o simples ato da dissolução de tudo aquilo que é ou já foi um dia.
Há muitos pormenores, trocados, trocadilhos e também muita enxeção de saco por aqui.
Isso não é exclusividade minha, tem um carrinho de mão deles catados, aos montes por aí.
To falando, acredita, há um sério desperdicio de alegria por todos os cantos. Há lágrimas em demasia, e acordes em completa (des) sincronia.
Há palhaços demais, mas não nos fazem rir. Há piadas demais, mas não há um bom humor.
Há barulho e medo demais, e eu fico aqui sentado, fechado num impávido colosso casulo.
Pensando de menos e reproduzindo intermináveis: Poiséses e Aconteces…
Acontece.
3 respostas até agora ↓
Tassiana Ghorayeb Resende // Setembro 23, 2009 às 1:17 pm |
Caraca. Depois que li esse texto, juro pra você, meu estômago se mexeu e meu coração palpitou. Que lindo, Will!
Lindo! APLAUSOS. MAIS APLAUSOS.
Posso publicar esse post no meu blog? Posso ama-lo? ahahahaha brigada!
Beijos
Gabi // Setembro 23, 2009 às 10:10 pm |
Caramba! Vi no blog da minha brilhante amiga Tassi o texto e a dica de passar por aqui! Realmente valeu a pena! Parabéns pelo texto! ele teve um efeito devastador em mim. É o que eu disse pra Tassi, a gente tem que tomar muito cuidado com esse todoqueaconteceaomesmotempo e a gente nem presta mais atenção em nada, não valoriza, não pensa, apenas “acontece”. Se a gente deixar, fica tudo tão superficial, que a gente acha estar sabendo de tudo, ligado em tudo, falando com todos sendo que no fundo acontece o efeito contrário. Ficamos cada vez mais sem o real, sem a essência, sem histórias. Obrigada me fazer parar e pensar!
w23b // Setembro 23, 2009 às 10:37 pm |
Mil Carambolas! Minha saudosa avó sempre me ensinou a agradecer aos elogios. Muito obrigado. Definitivamente Há uma sensação, mas eu não sou ela. Apareça e comente sempre que quiser e puder. Um abraço do dabliubê.